04/03/2010, Quinta - Quando leio os comentários de Mara Ghellere, sinto um enorme nojo da maneira como ela trata quem faz outros comentários sobre suas colocações. Logo agora, que estou lendo Humano, demasiado humano de Nietzche, achei que um aforismo seu cai como uma luva sobre tal comportamento da “simplesmente educadora”.
Ironia: “A ironia só é adequada como instrumento pedagógico, usada por um mestre na relação com alunos de qualquer espécie: seu objetivo é a humilhação, a vergonha, mas do tipo saudável que faz despertar bons propósitos, e que inspira respeito e gratidão a quem assim nos tratou, como a um médico. O irônico se faz de ignorante, e tão bem que os discípulos que com ele dialogam são enganados e ficam arrojados ao crer que têm um conhecimento melhor, expondo-se de todas as maneiras; eles perdem o cuidado e se mostram como são, – até que, num dado momento, a luz que sustentavam ante o rosto do mestre manda de volta os raios sobre eles, de modo bem humilhante. – Quando não há uma relação como essa entre o mestre e os discípulos, a ironia é um mau comportamento, um afeto vulgar. Todos os escritores irônico contam com a espécie tola de homens que gostam de se sentir superiores a todos os demais, ao lado do autor, que consideram o porta-voz de sua presunção. – O hábito da ironia, assim como o do sarcasmo, corrompe também o caráter; confere aos poucos a característica de uma superioridade alegremente maldosa: por fim nos tornamos iguais a um cão mordaz que aprendeu a rir, além de morder”. (Obs: grifo meu), do livro Nietzche, Humano, demasiado humano, p. 195. Cia das Letras (bolso).
João Lucas Marcelino - jlucasmarcelino@hotmail.com